Projeto criado por pesquisadores da Unit foi pré-selecionado no Programa Centelha e investe em dermocosméticos inovadores produzidos com ativos naturais da biodiversidade sergipana
Encontrar produtos dermocosméticos formulados especificamente para peles negras ainda é uma dificuldade enfrentada por muitos brasileiros. Problemas como hiperpigmentação, sensibilidade a alguns componentes e a pouca representatividade no setor da beleza tornam mais limitado o acesso a alternativas eficazes e seguras para esse público. Foi diante desse contexto que nasceu a AfroCare, iniciativa que reúne ciência, inclusão e valorização da identidade negra na criação de produtos voltados às particularidades dessa pele.
O projeto está entre as 11 propostas inovadoras desenvolvidas na Universidade Tiradentes (Unit) que foram pré-selecionadas no Programa Centelha, ação nacional de incentivo ao empreendedorismo inovador e a negócios de base tecnológica. A equipe é composta por Patrícia Santos, sócia e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial (PBI/Unit); Fabiano Ricardo, sócio e doutorando do mesmo programa; Robert Andrade, responsável pelo Controle de Qualidade e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos; Giuliana Amado, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde; além do farmacêutico Willamys Souza.
Ciência e cuidado
De acordo com Patrícia Santos, sócia da AfroCare e doutoranda do PBI, a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o cuidado e promover autoestima para a população negra. “Percebemos que muitas pessoas ainda encontram dificuldades para acessar produtos, informações e atendimentos que considerem as especificidades da pele negra. Por isso, a AfroCare foi pensada para unir cuidado, identidade e inclusão, oferecendo não só produtos e serviços, mas também acolhimento e valorização da beleza negra”, afirma.
A proposta contempla inicialmente uma linha formada por sabonete adstringente, sérum antioxidante uniformizador e creme hidratante. Os produtos foram desenvolvidos com foco na uniformização do tom da pele de forma segura, sem utilização de hidroquinona ou agentes sintéticos agressivos. Além disso, o projeto mantém parceria com cooperativas locais, estimulando a bioeconomia regional e o uso sustentável da mangaba e de outros ativos vegetais da flora sergipana.
“A proposta reúne inovação científica, impacto social e valorização cultural, disponibilizando produtos mais seguros, acessíveis e representativos para pessoas negras, ao mesmo tempo em que transforma a biodiversidade sergipana em tecnologia e oportunidade de desenvolvimento regional”, ressalta.
Representatividade
Embora não tenha se originado diretamente de uma pesquisa acadêmica institucional ou projeto de iniciação científica, a AfroCare surgiu da combinação entre conhecimento técnico-científico e a percepção de uma demanda ainda pouco atendida pela indústria dermocosmética. A equipe identificou a ausência de produtos formulados especialmente para as características da pele negra, principalmente em tratamentos voltados para manchas e uniformização sem o uso de componentes agressivos.
“A pele negra apresenta características fisiológicas específicas, como maior tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória e sensibilidade a determinados ativos despigmentantes. Mesmo assim, muitos produtos disponíveis no mercado ainda ignoram essas particularidades, o que pode comprometer os resultados e aumentar os riscos de irritação”, explica.
Patrícia destaca ainda que a proposta ultrapassa a dimensão dermatológica. “A AfroCare compreende o cuidado com a pele negra também como uma questão de inclusão e representatividade. Nosso propósito é oferecer soluções mais naturais, seguras e acessíveis, desenvolvidas para atender às necessidades reais desse público, unindo ciência, tecnologia e valorização da diversidade”, pontua.
Impacto social
Além da criação de produtos dermocosméticos, a AfroCare busca contribuir para o fortalecimento da autoestima e da representatividade da população negra no segmento de beleza e cuidados pessoais. A iniciativa também pretende ampliar o acesso a soluções pensadas especificamente para esse público, promovendo bem-estar e cuidado para consumidores historicamente pouco contemplados pela indústria cosmética.
Outro foco do projeto é estimular a bioeconomia regional por meio de parcerias com comunidades extrativistas locais, como catadoras de mangaba, incentivando geração de renda e valorização da biodiversidade sergipana. “O projeto estabelece uma conexão entre inovação tecnológica e desenvolvimento social local, além de incentivar soluções mais inclusivas, sustentáveis e alinhadas às necessidades reais da população negra”, destaca.
Inicialmente, a AfroCare pretende atuar em todo o mercado nacional, com atenção especial à região Nordeste, onde há uma concentração significativa da população negra brasileira e uma demanda crescente por produtos dermocosméticos mais inclusivos e acessíveis.
Por: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit




