Fotos: Ascom/Semed

Ao assumir a gestão municipal em 2025, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), reforçou o compromisso com a alfabetização de crianças na idade certa — até o final do 2º ano do Ensino Fundamental. Nas escolas municipais, equipes diretivas e professores abraçaram a proposta e fortaleceram as práticas pedagógicas. Como resultado, mais alunos da rede desenvolveram habilidades de leitura e escrita até os seis anos de idade. Dados obtidos a partir das provas de Língua Portuguesa e Produção Textual do Sistema de Avaliação da Educação de Sergipe (Saese) evidenciam os avanços.

O Indicador Criança Alfabetizada (ICA) dos municípios, divulgado neste ano e que utiliza o Saese como parâmetro, alcançou 56,4% em 2025. O aumento foi de 9,2 pontos percentuais em relação ao índice de 2024. Nesse contexto de crescimento, três escolas se destacaram pelas ações em sala de aula e pelas inovações nas metodologias de ensino conduzidas por equipes preparadas e comprometidas com a alfabetização das crianças de Aracaju.

Com proficiência de 823,9 e índice de alfabetização desejável de 85,4% dos alunos no Saese, a Escola Municipal Carvalho Neto foi a unidade que alcançou o melhor resultado da rede em 2025. Na sequência, a Escola Municipal Marechal Henrique Teixeira Lott também obteve desempenho expressivo, com média de 822,7 e índice de alfabetização desejável de 85,6%. O terceiro melhor resultado foi registrado pela Escola Ágape, com índice de alfabetização desejável de 80,2% e proficiência de 821,6.

Para a assessora da Coordenadoria de Ensino Fundamental dos Anos Iniciais, Jamilly Menezes, as políticas públicas direcionadas à ampliação dos índices foram determinantes para os avanços.

“A prefeita Emília Corrêa instituiu a Política Municipal de Alfabetização, documento que estabelece diretrizes claras para o aperfeiçoamento do ensino nas escolas. A partir disso, sob a orientação da secretária da Educação, Edna Amorim, foi distribuído o material didático complementar Alfabetiza+, além da promoção de formações específicas para professores voltadas ao processo de alfabetização, aulões e simulados. Também aprimoramos o uso de tecnologias em sala de aula por meio dos displays”, destacou Jamilly Menezes.

Formação sólida

Somadas às políticas educacionais implementadas pela Semed no ano passado, o trabalho diário e cuidadoso dos docentes fez a diferença no progresso da aprendizagem das crianças. A mestre e doutora em Educação, professora Cibele Rodrigues, que lecionou no 2º ano da Escola Carvalho Neto no ano passado, atribui o sucesso dessa etapa de ensino ao conjunto de dinâmicas desenvolvidas com os estudantes, fundamentadas no perfil da rede, que prioriza práticas pedagógicas de leitura e atividades lúdicas.

“Eu sempre estimulo os alunos à conscientização sobre a importância da leitura. Quando eles compreendem isso, ganho a confiança deles e consigo desenvolver um trabalho com mais tranquilidade. É essencial não ser apenas conteudista, mas também promover muitas atividades práticas. As crianças apresentam melhores resultados quando têm contato com o concreto. Trabalhamos muito isso aqui na escola”, explicou Cibele Rodrigues.

As metodologias aplicadas pelo professor Bruno Santos, também do 2º ano da Escola Carvalho Neto, confirmam a eficiência dessa proposta baseada em estratégias de ensino interativas. Segundo ele, o ano foi marcado por desafios diários para alcançar a meta de alfabetização satisfatória. Em uma turma composta majoritariamente por estudantes vindos de outras escolas, sobretudo particulares, havia apenas três alunos leitores. Diante desse cenário, o professor utilizou a criatividade para impulsionar as competências leitoras dos estudantes.

Além do uso frequente da lousa digital e de seus recursos, Bruno Santos criou jogos pedagógicos com materiais recicláveis, como papelão, para estimular a participação dos alunos e tornar o aprendizado mais dinâmico e envolvente.

No ano letivo de 2025, o número de alunos leitores saltou de três para 17, o equivalente a cerca de 90% da turma acompanhada por ele. “Tive que iniciar praticamente do zero o processo de letramento. Pelo menos dois dias por semana trabalho de forma lúdica para motivá-los. Os jogos educativos de papelão ajudam a aprimorar a leitura em todos os níveis. Eles contemplam do nível 1 ao 6 e abrangem a compreensão de diferentes tipos de textos, curtos ou longos, por meio de atividades como pipoca da leitura, quebra-cabeças e associações por imagens”, afirmou o educador.

A coordenadora pedagógica da Escola Ágape, Rita Sulz, esclarece que, na unidade, as ações voltadas à alfabetização seguem um cronograma iniciado já no 1º ano. Para ela, entregar aos docentes do 2º ano alunos capazes de ler palavras e frases representa um passo fundamental para que o trabalho pedagógico seja desenvolvido de forma consistente.

Além disso, Rita atribui o êxito nos índices do Saese principalmente às iniciativas de leitura diária e à ênfase no acompanhamento individual. “Os nossos alunos são estimulados diariamente à leitura. A professora trabalha textos tanto de forma coletiva quanto individual. Valorizamos muito a individualidade de cada aluno, porque cada um possui um nível de aprendizagem e compreensão. Desenvolvemos atividades coletivas, mas também priorizamos o acompanhamento individual para que o estudante desenvolva a leitura, a compreensão textual e a construção do pensamento linguístico”, ressaltou Rita Sulz.

A professora do 2º ano da Escola Ágape, Alessandra Arcanjo, destacou a relevância de um planejamento sólido e da aplicação de simulados para diagnosticar o nível de aprendizagem dos alunos, identificar pontos positivos e aspectos que necessitam de melhorias, possibilitando o realinhamento das metas e estratégias pedagógicas.

“Se o professor não fizer um planejamento, não conseguirá trabalhar com eficácia. Por isso, planejo os conteúdos e aplico simulados relacionados a todos os assuntos abordados. Dessa forma, percebo que, a cada dia, os alunos melhoram o desempenho tanto na leitura quanto na escrita”, afirmou Alessandra Arcanjo.

Daniele Dantas, professora do 2º ano da Escola Teixeira Lott, destacou que os trabalhos em sala de aula têm foco na interpretação textual, explorando elementos essenciais das narrativas para fortalecer a compreensão dos alunos.

“Nas atividades, abordamos o título da obra, quem é o personagem principal, os narradores e em que momento ocorre o enredo. Trabalhamos dessa forma para que eles compreendam quando o autor está falando e quando o narrador é personagem principal ou secundário. Assim, estimulamos a ampliação da capacidade de leitura e interpretação textual”, pontuou a educadora.

A professora Márcia Oliveira, também do 2º ano da Escola Teixeira Lott, enfatizou que o suporte aos alunos é realizado de maneira individualizada, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança. “Precisamos ter esse olhar atento para compreender o que cada aluno traz de conhecimento e, com base nisso, traçar o nosso planejamento diário para que eles desenvolvam todo o processo cognitivo, acompanhando os conteúdos com menos dificuldades”, explicou.