Ação foi marcada pela inauguração de um Centro de Triagem de Resíduos Sólidos e assinatura de termos para incentivo da atividade dos catadores

Atividade dos catadores e catadoras de materiais recicláveis em Aracaju avança para um caminho de mais dignidade profissional. Nesta segunda-feira (12), o setor foi fortalecido com a inauguração do Centro de Triagem de Resíduos Sólidos na região da zona norte e com as assinaturas de um Termo de Cooperação e do novo contrato de coleta seletiva, que trazem benefícios para o trabalho desses catadores.

O Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) esteve presente no ato de inauguração do Centro de Triagem por meio do procurador do Trabalho e coordenador do Projeto do MPT de Inclusão Socioeconômica dos Catadores, Emerson Albuquerque Resende. Para o procurador, o Centro de Triagem é fundamental para dar melhores condições de trabalho aos catadores de materiais recicláveis de Aracaju. “Esse Centro de Triagem é muito importante, porque vai abranger os catadores da região da zona norte, isso vai reforçar as cooperativas.

O termo e o contrato que foram assinados vão trazer mais dignidade para a vida dos catadores porque vão possibilitar, também, a inclusão dos catadores autônomos, que estão desvinculados de cooperativas. Por isso, acreditamos que tudo isso vai trazer bons frutos”, afirmou o procurador.

Para a catadora Gilene França, que trabalha com materiais recicláveis há 15 anos, o Centro de Triagem é uma oportunidade para melhorar a sua qualidade de vida. “É a primeira vez que eu vou reciclar num galpão. A gente vai poder sair do sol, não vai precisar ficar pegando em fezes de animais, vamos sair da chuva. Isso veio dar qualidade de vida ao nosso trabalho”.

Na ocasião, também foi assinado o Termo de Cooperação técnica entre a Associação Nacional de Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis (Ancat) e a Prefeitura de Aracaju. O termo prevê a inclusão social de 425 catadores autônomos, que atuam independentes de cooperativas, ou que estão em situação de rua. “Esse termo busca fortalecer as ações dos catadores de materiais recicláveis. Trazer mais aprimoramento para o Conexão Cidadã, um equipamento que trabalha com catadores em situação de rua e vamos aprimorar o atendimento aos catadores, com atendimentos emergenciais e sociais e a formalização e formação técnica desses trabalhadores”, explicou o presidente nacional da Ancat, Roberto Rocha.

O terceiro ato do evento foi a assinatura do contrato com a Central de Cooperativas para a coleta seletiva. A iniciativa prevê o repasse de cerca de R$ 1 milhão mensal, por um período de 60 meses, totalizando um investimento de quase R$ 60 milhões destinados às cooperativas, podendo beneficiar trabalhadores catadores autônomos desvinculados de cooperativas. “O contrato assinado formaliza um instrumento necessário para garantir a operação contínua e estruturada da coleta seletiva em Aracaju. Isso contempla três frentes de serviços: coleta e transporte dos materiais recicláveis, triagem dos materiais e a mobilização da educação ambiental, fundamentada para ampliar a adesão da população e melhorar a qualidade do material coletado”, disse a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa.

A catadora Vanessa Santana já consegue enxergar, agora, um futuro diferente. “Isso é um projeto bom porque a gente precisa de um espaço para trazer as reciclagens. É uma oportunidade de emprego para muita gente. Somos mal vistos pela nossa imagem, porque dizem que estamos catando lixo. Mas esse é um trabalho digno e que, agora, vem trazer mais dignidade para a gente”.