O Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), ofertado pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), tem garantido acompanhamento especializado e assistência qualificada a pacientes que necessitam de cuidados contínuos, sem precisar sair de casa. A estratégia fortalece uma atenção mais humanizada, que respeita histórias de vida, vínculos familiares e rotinas, levando o cuidado para onde o paciente se sente mais seguro: o próprio lar. Atualmente, 91 pacientes são acompanhados pelo serviço na capital.
Conhecido como ‘Melhor em Casa’, o SAD é voltado a pessoas que apresentam condições clínicas que exigem acompanhamento mais frequente, mas que não precisam permanecer internadas em unidades hospitalares. A proposta é assegurar continuidade do tratamento, reduzir o tempo de internação e contribuir para a rotatividade de leitos, ao mesmo tempo em que promove conforto e acolhimento aos pacientes e suas famílias.
De acordo com a coordenadora do SAD na rede municipal de saúde de Aracaju, Kátia Vanessa, o principal objetivo do serviço é a desospitalização. Segundo ela, a equipe avalia pacientes que estão internados e também aqueles que já se encontram em casa, acompanhados pela Unidade de Saúde da Família (USF). “Nosso maior objetivo é desospitalizar, garantir a rotatividade de leitos nos hospitais. Avaliamos os pacientes, seja a partir de sinalização hospitalar ou da atenção primária, e, se atenderem aos critérios, eles são admitidos no SAD. O cuidado continua no domicílio, de forma integrada com a USF, assegurando a continuidade da assistência”, explica.
Kátia Vanessa destaca ainda que, em 2025, o serviço apresentou um crescimento expressivo, com aumento de quase 15% no volume de atendimentos em comparação com 2024. Ao longo do ano, foram registrados mais de 17 mil atendimentos, com uma média de 1.389 pacientes assistidos. Para a coordenadora, o resultado positivo é fruto de um trabalho de aproximação com as equipes de saúde. “Realizamos matriciamentos nas unidades básicas e também nos principais hospitais, como o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), o Hospital Cirurgia e o Hospital São José. Muitas equipes ainda não conheciam o SAD ou não sabiam como acioná-lo. Esse diálogo ampliou o acesso e fortaleceu o serviço”, afirmou.
O SAD conta com equipes multiprofissionais. A Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD) é composta por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Já a Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP) reúne profissionais como psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, assistente social, dentista e nutricionista, garantindo um cuidado integral de acordo com as necessidades de cada paciente.
Para o médico Matheus Lima, clínico geral e médico de família que atua no serviço, o SAD atende tanto pacientes em situações agudas quanto aqueles com doenças crônicas que apresentaram agravamento. “São pacientes que estavam internados, muitas vezes em uso de antibióticos ou com lesões, AVC ou traumas, mas que já não precisam permanecer no hospital. O tratamento pode ser finalizado em casa, com acompanhamento médico, de enfermagem e reabilitação. Também atendemos solicitações das unidades de saúde para pacientes acamados, com lesões profundas ou que precisam de um cuidado mais intensivo do que a unidade consegue oferecer”, explica.
Segundo o médico, o ambiente domiciliar favorece a recuperação. “Em casa, o paciente está cercado pela família, em um ambiente mais acolhedor. Observamos, por exemplo, que idosos que sofreram AVC costumam apresentar melhor evolução do estado mental fora do hospital. Além disso, em casos de cuidados paliativos, estar em casa permite mais conforto e proximidade da família nos momentos finais”, destaca.
O acompanhamento inclui cuidados intensivos de enfermagem, especialmente no tratamento de feridas e úlceras por pressão. “A equipe realiza curativos com a frequência necessária e, ao longo do acompanhamento, orienta os familiares para que possam dar continuidade ao cuidado diário. À medida que o paciente evolui, as visitas vão sendo espaçadas. Também acionamos fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição sempre que necessário, garantindo um cuidado completo”, completa Matheus Lima.
Paciente do SAD, Andreia Luísa Santana Muniz, diagnosticada com esclerose múltipla há quase dois anos, avalia o serviço como essencial para o seu tratamento. Após passar cerca de dois meses internada, ela destaca a diferença de estar em casa. “É muito melhor. No hospital é muito difícil, já em casa tem acolhimento, acompanhamento e a presença da família. O médico vem, monitora, e isso faz toda a diferença”, relata.
Outro beneficiado pelo serviço é Wellington Alves, diabético, que precisou amputar três dedos do pé após uma infecção. Para ele, o acompanhamento domiciliar trouxe mais segurança e tranquilidade. “É muito importante. A equipe acompanha de perto, é um trabalho que só temos a agradecer. Em casa, o risco de infecção é menor e a gente fica perto da família, isso ajuda muito na recuperação”, afirma.
A participação da família é parte fundamental do processo. Para a professora Maria Aparecida Santana, esposa de Wellington, o SAD representa um suporte contínuo e esclarecedor. “Conseguimos o acesso por meio da unidade de saúde da família. Depois da avaliação, começaram os curativos, as orientações e o acompanhamento dos sinais vitais. Como ele é diabético e tem pressão alta, recebemos orientações importantes sobre medicação e cuidados diários. É um atendimento completo”, pontua.
Com solicitar o SAD
O acesso ao serviço pode ocorrer por meio da USF de referência ou a partir da unidade hospitalar. O cadastro é feito por meio do preenchimento de um formulário, que deve ser enviado para o e-mail sadsaudeaju@gmail.com. Após a solicitação, a equipe do SAD tem até 72 horas para avaliar pacientes no domicílio. No caso de pacientes hospitalizados, o prazo é reduzido para até 24 horas, priorizando a desospitalização. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (79) 98123-4483.




