Foto: Ricardo Stuckert/pr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) e seguirá no comando da Presidência da República por mais quatro anos. O petista derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno na liderança da disputa, mas foi superado em uma virada inédita.

Desde a adoção do sistema de dois turnos, na Constituição de 1988, nunca um candidato que terminou a primeira fase em desvantagem havia conseguido reverter o resultado em uma eleição presidencial.

Lula chefiará o Executivo federal pela quarta vez, em outro feito inédito na história do Brasil. Ele esteve à frente do governo de 2003 a 2006, no primeiro mandato, e de 2007 a 2010, no segundo. Em 2022, retornou à Presidência para um terceiro mandato, iniciado em 2023 e que termina no início de 2027. Agora, permanecerá no cargo até os primeiros dias de 2031.

O petista repetirá a parceria com Geraldo Alckmin (PSB) no posto de vice-presidente.

O presidente e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protagonizaram uma das disputas mais acirradas dos últimos períodos eleitorais. No primeiro turno, o senador alcançou 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista teve 45,16% — uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.

Até a véspera do pleito, pesquisas de intenção de voto apontavam os dois candidatos em um empate técnico.

Mudança de rota

Com a desvantagem no primeiro turno, a campanha petista se reorganizou e promoveu mudanças que alcançaram desde a coordenação política à estratégia de redes sociais. Logo após o resultado, Lula convocou uma série de reuniões para traçar táticas rumo à virada.

Uma parcela de aliados, sobretudo da ala mais jovem da base, convenceram o presidente sobre a importância de ampliar a presença nas redes sociais e o incentivaram a gravar vídeos em formato “selfie”, para promover um diálogo direto com o eleitor. A estratégia melhorou o desempenho do petista no campo digital.

Em outra frente, o deputado federal André Janones (Rede-MG) criou um canal no WhatsApp, chamado “Exército do Lula”, para dar orientações a apoiadores do presidente sobre mobilização on-line. O grupo acumulou milhões de seguidores em poucas semanas e foi alvo de diversas ações por parte da campanha de Flávio Bolsonaro. O canal chegou a ficar fora do ar por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula também participou de debates promovidos por emissoras de televisão, em uma estratégia diferente da adotada no primeiro turno. Frente a frente com o adversário, os embates foram marcados por provocações de ambos os lados.

A comunicação da campanha também investiu em desgastar a imagem de Flávio, associando-o a cortes em programas sociais. O petista explorou a promessa do candidato do PL de fazer um “tesouraço” em despesas do governo, caso eleito. Lula bateu na tecla de que a medida reduziria verbas de programas como o Farmácia Popular, o Pé-de-Meia e o Bolsa Família.

O núcleo duro da campanha também sofreu alterações com a chegada de políticos vitoriosos em estados do Nordeste. O governador reeleito no Piauí, Rafael Fonteles (PT), reforçou a equipe de comunicação; o senador Camilo Santana (PT-CE), entrou para a coordenação política, e o ex-ministro e senador eleito pela Bahia, Rui Costa (PT-BA), assumiu a articulação da agenda.

Outro fator visto como determinante para a virada foi a mobilização de apoiadores nas ruas. Desde o final do primeiro turno, manifestantes promoveram atos em diversas capitais e cidades brasileiras, que reuniram milhões de apoiadores pela reeleição de Lula.

Fonte: CNN