Fotos: Arthuro Paganini
Com diminuição de 21% nas precipitações, Estado acompanha barragens, clima e territórios para mitigar os efeitos do El Niño
O balanço anual das chuvas em Sergipe, considerando o acumulado até o momento, aponta redução de 21% no volume de precipitação em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado, de acordo com a análise técnica do Estado de Sergipe, já é reflexo dos efeitos do El Niño sobre o território sergipano. Para reduzir os impactos do fenômeno e os problemas causados pela redução das chuvas para a população, desde junho, foi implantado um Comitê Técnico e Intersetorial para análise e monitoramento da situação, além da adoção de medidas de mitigação. O trabalho também já desenvolveu um Plano de Contingência Estadual, que orienta a atuação dos órgãos públicos, antecipando cenários e possíveis impactos do El Niño.
Como parte dessa estratégia, também foi criada a Sala de Situação de Combate ao El Niño, estrutura composta por técnicos intersetoriais voltada ao acompanhamento contínuo do fenômeno e de seus impactos em Sergipe. A Sala de Situação é responsável pelo monitoramento e pela análise dos dados, fornecendo informações que subsidiam a atuação do Comitê Técnico. A partir dessas informações, o Comitê Estadual de Gestão de Eventos Climáticos Extremos (Cegec) promove a articulação entre os órgãos envolvidos e define ações e encaminhamentos de forma integrada.
Gestores públicos, imprensa e sociedade podem acompanhar a evolução do fenômeno por meio do Boletim Técnico de Proteção e Defesa do El Niño, publicação periódica do Estado de Sergipe que atualiza o cenário climático no território sergipano e amplia o detalhamento dos possíveis impactos do fenômeno nos diferentes territórios sergipanos. Todas as edições do boletim estão disponíveis no site https://www.se.gov.br/semac.
Entre as medidas de mitigação já implantadas, estão a Operação Carro Pipa, ações de educação ambiental com foco na convivência com os efeitos do El Niño, apoio socioassistencial e a intensificação do monitoramento climático e das barragens do Estado. “O foco do trabalho do Estado é a proteção da população, a garantia do abastecimento de água e o apoio à produção agropecuária durante a escassez de chuvas”, explica a secretária de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas, Ingrid Cavalcanti Feitosa. “Atuamos de forma integrada, a partir das informações técnicas elaboradas pelos órgãos estaduais e estamos nos antecipando à fase mais intensa do El Niño. Utilizamos dados técnicos para antecipar a tomada de decisão e com isso diminuir os impactos do fenômeno em Sergipe”, enfatizou a secretária.
Monitoramento
Com a confirmação do El Niño, a Semac intensificou o monitoramento das condições meteorológicas e climáticas em Sergipe, ampliando a atenção à evolução do fenômeno e aos possíveis impactos no estado. A emissão de boletins climatológicos e o acompanhamento das condições do tempo já fazem parte da rotina da Semac e, diante do cenário, passaram a contar com análises mais direcionadas. O trabalho utiliza modelos numéricos de previsão do tempo da Semac, imagens de satélite, cartas sinóticas, modelos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), dados do Radar Meteorológico da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), entre outras ferramentas de monitoramento.
O monitoramento contínuo das barragens é outra frente de atuação diante dos riscos de escassez de chuva. Sergipe possui 15 grandes barragens de acumulação de água, das quais sete são acompanhadas, em cooperação com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), para garantir a segurança hídrica.
Os volumes das barragens são acompanhados diariamente e este monitoramento é fundamental para gerência do uso da água disponível, como explica a secretária Ingrid Cavalcanti. “Com a redução da precipitação, o acompanhamento do volume das barragens é fundamental para planejar nossas ações e garantir a prioridade de uso da água para o abastecimento da população e a dessedentação dos animais”, detalha a secretária.
A Semac destaca que o cenário exige atenção e atuação preventiva, mas não deve causar pânico. “O monitoramento contínuo das condições meteorológicas, climáticas e hídricas é fundamental para que o Estado, os municípios, os setores produtivos e a população possam se antecipar a possíveis mudanças no cenário. A análise conjunta das condições de chuva, temperatura, umidade do solo, níveis dos reservatórios e vazões dos rios permite identificar tendências, avaliar possíveis impactos e subsidiar, com maior segurança, a adoção de medidas preventivas e o planejamento do uso dos recursos hídricos”, reforça a meteorologista da Semac, Wanda Tathyana de Castro.
Nesse contexto, recomenda-se o acompanhamento regular dos boletins meteorológicos, prognósticos climáticos e informações sobre a situação dos recursos hídricos, especialmente nas áreas mais suscetíveis à redução das chuvas. Para o setor agropecuário, o planejamento do uso da água, a adoção de práticas de conservação da umidade do solo e o uso racional dos recursos hídricos podem contribuir para reduzir possíveis impactos sobre as atividades produtivas.
Índices pluviométricos
O Estado de Sergipe, por meio da Semac e da Defesa Civil, administra 49 estações pluviométricas distribuídas por todas as regiões de Sergipe. Os dados registrados pelas estações apontam redução de 21% no volume de chuvas no acumulado do ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Entre as regiões analisadas, o alto sertão apresentou a maior redução, de 30%, seguido pelo leste sergipano, com 29%, e pela Grande Aracaju, com 28%.
Para os próximos meses, o cenário climático exige atenção e acompanhamento contínuo das condições atmosféricas e oceânicas. Os modelos climáticos indicam a manutenção do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 e início de 2027, com maior intensidade prevista inicialmente e tendência de enfraquecimento gradual a partir dos primeiros meses do próximo ano.
“Para Sergipe, a projeção climática para o trimestre de setembro, outubro e novembro indica tendência de chuvas abaixo da normal climatológica em todas as regiões do Estado, período que normalmente já apresenta menores volumes de precipitação. É importante destacar, entretanto, que essa é uma previsão climática e, portanto, pode sofrer alterações à medida que novas informações e atualizações dos modelos sejam incorporadas”, explica a meteorologista Wanda Tathyana.
Agricultura
Outro padrão que tem sido acompanhado de perto pelo Estado de Sergipe é o índice de evapotranspiração no território de Sergipe, que já aumentou 12% na comparação dos oito primeiros meses de 2026 com o mesmo período de 2025. O índice de evapotranspiração considera o volume de água perdido do solo para a evaporação e a transpiração das plantas, ou seja, quanto mais evapotranspiração, menos água armazenada no solo. O índice é uma medida importante para a agricultura, pois permite avaliar a umidade disponível para garantir a sobrevivência das culturas agrícolas.
Participação
Entre as orientações dos especialistas para enfrentar um possível período de seca, está o uso consciente da água, manutenção de cisternas, armazenamento adequado de ração para o gado, diversificação de plantios com culturas mais resistentes à seca e proteção do solo com técnicas que ajudem a manter a umidade.
A Semac recomenda ainda que a sociedade acompanhe os boletins de monitoramento climático do El Niño e os alertas de seca divulgados periodicamente pelo Estado de Sergipe.



