Após uma temporada marcada por recordes, títulos regionais e projeção internacional, três equipes sergipanas de robótica se preparam para disputar o Campeonato Brasileiro, de 03 a 09 de março, em São Paulo. Considerado um dos maiores torneios nacionais da modalidade, o evento reunirá mais de 200 equipes de diferentes estados e é classificatório para etapas ainda maiores, concentrando os melhores projetos e robôs do país. As equipes TechCOE, RoboCOE e RoboTech são formadas por alunos do Colégio Coesi.
Neste ano, o torneio desafia os participantes a desenvolver soluções para problemas enfrentados por arqueólogos, ampliando o aprendizado para além da robótica. A proposta envolve pesquisa científica, investigação de campo e criação de soluções com impacto real.
A vaga para o Brasileiro foi construída ao longo de meses de preparação. O técnico e professor das equipes, Rian Gabriel dos Santos, destaca que todo o processo é resultado de planejamento e acompanhamento pedagógico. “Nossa preparação se iniciou em outubro de 2025, quando começamos a treinar intensamente as equipes para os torneios regionais classificatórios. Participamos do Regional Bahia e do Regional Paraíba com três equipes. As três foram campeãs em suas categorias e conquistaram a primeira vaga disponível em cada uma delas. Esse resultado é fruto de um trabalho diário de orientação, estratégia e desenvolvimento técnico que realizamos junto aos alunos”, conta o professor .
Rian reforça que o desempenho vai além da arena. “Nós acompanhamos cada etapa do processo: da pesquisa inicial às visitas técnicas, da construção dos protótipos aos testes finais. Os alunos vêm todos os dias no contraturno, mas existe uma metodologia por trás, um direcionamento técnico para que cada solução seja bem fundamentada e competitiva”.
Entre os projetos classificados está a equipe TechCOE, formada por alunos de 10 anos, que desenvolveu a Luva-Pincel, uma solução ergonômica que auxilia arqueólogos durante escavações delicadas, reduzindo movimentos repetitivos e proporcionando maior precisão no manuseio de artefatos. Os estudantes passaram por todas as etapas do processo, desde a pesquisa até a validação da proposta.
A equipe RoboCOE, composta por alunos de 13 a 15 anos, criou uma folha fitoterápica com potencial antifúngico, projetada para preservar artefatos históricos durante armazenamento e transporte, prevenindo a ação de fungos e microrganismos e contribuindo para a conservação do patrimônio.
Já a equipe RoboTech, atual campeã nacional, representou o Brasil em Houston em 2025 e disputa a categoria FTC, na qual os alunos desenvolvem robôs de porte médio com características industriais, capazes de executar tarefas complexas em arena. O desafio exige conhecimentos avançados de engenharia, programação, estratégia e trabalho em equipe.
O coordenador e técnico Carlos Eduardo ressalta o papel da preparação estratégica para manter o alto nível competitivo da equipe. “Nós treinamos nossos alunos para competir em alto rendimento. Competimos contra equipes de três estados diferentes, batemos o recorde brasileiro de pontuação e desempenho. Em 2025, conquistamos a vaga para o Mundial e o título nacional. Agora nosso trabalho é manter essa constância, aprimorar cada detalhe técnico e estratégico para que eles entrem no Brasileiro preparados para disputar entre as melhores equipes do país”, destaca o técnico.
Para a diretora pedagógica do Colégio Coesi, Carla Eugênia Nunes, os resultados são consequência de um projeto consolidado ao longo do tempo. “Ao longo de 16 anos de investimentos contínuos, o Coesi colocou Sergipe como referência internacional da robótica educacional. A robótica faz parte da nossa proposta como ferramenta de desenvolvimento integral. Ela estimula pesquisa, pensamento crítico, criatividade e trabalho em equipe”, ressalta.
Protagonismo estudantil na competição nacional
Entre os alunos, o sentimento é de responsabilidade e entusiasmo. João Pedro, da segunda série, relembra a experiência internacional. “Na minha primeira temporada fomos campeões nacionais e representamos Sergipe em Houston. Foi incrível conhecer outros países e representar o Brasil. Agora quero aprender ainda mais na programação e ter novamente o prazer de representar Sergipe no Brasileiro”, compartilha o estudante.
Para Miguel de Souza Almeida, aluno do 1º ano do Ensino Médio, a expectativa é alta. “Estou indo pela primeira vez representar não só a equipe, mas o Estado. É muito gratificante representar Sergipe. Estamos otimistas, com um projeto consistente, e esperamos trazer mais uma vez o título para casa”.
Foto: Arquivo da Instituição



