Um dos braços de trabalho do Governo de Sergipe, através da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), é fiscalizar e estabelecer critérios para que empresas de diversos ramos da agroindústria possam comercializar com certificado, assim, garantir que os produtos que chegam à população sejam seguros para consumo.
A certificação pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI) emitido pela Emdagro é um impulsionador importante para empresas do setor em Sergipe. Este sistema, que garante a conformidade com os padrões de qualidade, não apenas eleva a reputação das empresas certificadas, mas também abre portas para novos mercados e oportunidades de crescimento.
Para obter essa certificação, as empresas passam por uma série de critérios, como as visitas de inspeção estadual, realizadas por técnicos da Emdagro, que englobam a fiscalização dos estabelecimentos. O trabalho é feito de forma periódica e permanente, quando são avaliados aspectos higiênicos, sanitários e de segurança dos alimentos que estão sendo fabricados. Todo o processo é criteriosamente avaliado, desde a análise da planta do estabelecimento e a aptidão do terreno para a construção, passando pela execução da obra, instalação dos equipamentos, layout das áreas produtivas e fluxos operacionais, até a efetiva execução do processo de fabricação.
A diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, afirma que a conquista do SIE representa um marco importante para os consumidores. “O Selo de Inspeção Estadual é a garantia de que todo o processo produtivo, desde o manejo até o beneficiamento e a embalagem dos produtos, segue rigorosos padrões de qualidade, higiene e segurança alimentar. A conquista do SIE significa que o produto passou por avaliações técnicas que atestam sua procedência, confiabilidade e conformidade com a legislação sanitária estadual. Para o consumidor, é a certeza de adquirir um alimento seguro; para a empresa, representa a ampliação de mercado, a valorização da marca e o fortalecimento da competitividade. É um passo fundamental para fortalecer a cadeia produtiva, promovendo qualidade e segurança do início ao fim”, reforçou.
Empreendedorismo familiar
Recentemente, a agroindústria familiar AD Ovos Caipira Piabas, localizada em Moita Bonita, na região Agreste do Estado, conquistou o Selo de Inspeção Estadual (SIE). O documento classifica o empreendimento como primeira unidade certificada de Sergipe no beneficiamento de ovos caipiras, autorizando a comercialização de seus produtos em todo o Estado.
Conforme relata a sócia-proprietária da empresa, Dayane dos Santos Souza Mendonça, a AD Ovos Caipira Piabas nasceu de forma despretensiosa, quando, para atender ao paladar peculiar de sua filha caçula diagnosticada com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o casal precisou começar a criar galinhas caipiras. “Na época, com 8 anos de idade, Lavínia já gostava de preparar bolos e de comer ovos, mas não aceitava qualquer tipo, tinha que ser do ovo caipira, com a gema bem alaranjada. Se oferecesse outro, ela percebia a diferença e já recusava”, relata Dayane, ao observar que, pela dificuldade em conseguir o produto e diante da insistência de um amigo da família para que adquirissem algumas galinhas poedeiras, seu marido, Albino José de Mendonça, que já comercializava com frangos para abate, resolveu aceitar a oferta.
“Comprei 200 pintinhos no final do ano de 2023 e dei de presente à Lavínia, para ela cuidar. Assim, não faltariam mais ovos para ela usar em suas receitas e para comer quando quisesse. Só não pensamos na proporção que isso ia tomar e, um dia, minha esposa se viu desesperada, sem saber onde armazenar tantos ovos. Foi assim que começou a história de nossa empresa familiar”, complementou Albino.
A mãe conta que, dois anos depois, já são 4.500 galinhas na linha de produção, botando uma média de 114 mil a 115 mil ovos mensalmente. “Além de outros três mil pintinhos que criamos numa área de sete tarefas, onde construímos quatro aviários, com investimentos que já alcançam quase R$ 1 milhão”, complementou Dayane.




