O número de trotes direcionados ao Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE) apresentou crescimento significativo em 2025 e acende um alerta sobre os impactos diretos desse tipo de prática no atendimento à população. Dados do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), divulgados nesta sexta-feira, 6, apontam que a corporação recebeu 1.918 chamadas falsas ao longo do ano, um aumento de 13,6% em comparação com 2024, quando foram registrados 1.687 trotes.

As ligações indevidas representam prejuízos operacionais e podem atrasar o socorro a ocorrências reais, especialmente em situações em que o tempo é decisivo para salvar vidas, como acidentes de trânsito, incêndios e atendimentos pré-hospitalares.

“O tempo é crucial no atendimento de uma vítima em um acidente automobilístico ou em uma ocorrência de incêndio, evitando danos maiores. Quando o atendente do Ciosp recebe um trote, deixa de atender uma solicitação real”, explicou o major Valmir Belo, gestor do Corpo de Bombeiros no Ciosp. Segundo ele, embora existam filtros técnicos realizados tanto por atendentes quanto por bombeiros despachantes, nem sempre é possível identificar imediatamente uma chamada falsa, o que pode resultar no deslocamento desnecessário de viaturas.

Além do risco à população, os trotes também geram impactos financeiros e operacionais, como consumo de combustível, desgaste de equipamentos e redução da vida útil das viaturas. Apenas no mês de janeiro de 2026, o CBMSE já contabilizou 130 trotes — número 22,6% superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando houve 106 ocorrências desse tipo.

De acordo com o major Valmir Belo, a maioria das chamadas falsas é realizada por crianças e adolescentes, principalmente nos horários de saída escolar. “É fundamental que os responsáveis conversem com os menores sobre a importância dos serviços de emergência e os prejuízos causados pelos trotes. A supervisão dos adultos é essencial para coibir esse tipo de prática”, destacou.

O diretor do Ciosp, tenente-coronel José Luiz Ferreira, reforçou que as equipes passam por treinamentos contínuos para identificar chamadas falsas e alertou sobre as sanções previstas. “Os números utilizados para trotes podem ser bloqueados por até três meses para ligações de emergência. Além disso, por se tratar de crime previsto no Código Penal, situações recorrentes são encaminhadas à Secretaria de Segurança Pública para adoção das medidas cabíveis”, afirmou.

Como agilizar o atendimento em emergências

O major Valmir Belo orienta que, ao acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193, o solicitante seja objetivo e forneça informações essenciais. “É importante informar claramente o que aconteceu, se há vítimas e quantas são, o endereço com ponto de referência e se existem outros riscos, como fiação elétrica envolvida. Essas informações permitem um atendimento mais rápido e adequado”, concluiu.