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Ao romper com a rotina e explorar ambientes diferentes, viagens podem favorecer o equilíbrio emocional, estimular a criatividade e ampliar a conexão com o momento presente

Quem nunca retornou de uma viagem com a sensação de estar mais tranquilo, renovado e distante das preocupações que ocupavam a mente antes de partir? Para muitas pessoas, esse sentimento vai além de uma impressão momentânea. Sob a perspectiva da psicologia, viajar pode trazer ganhos significativos para a saúde mental ao proporcionar momentos de prazer, contato com diferentes contextos e um afastamento temporário das exigências do cotidiano.

Embora os efeitos variem de pessoa para pessoa, a mudança de cenário costuma colaborar para a redução da tensão emocional, estimular habilidades cognitivas e promover uma relação mais equilibrada consigo mesmo e com o ambiente ao redor. O psicólogo e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Igor Henrique, explica que as viagens costumam despertar sensações relacionadas ao bem-estar justamente por permitirem uma pausa na rotina e a ampliação das experiências pessoais.

“É importante salientar que, a todo momento, nós buscamos prazer. Viajar nos provoca essa sensação de estar em outro espaço, de sair da nossa rotina, de conhecer novas pessoas, ampliar nosso repertório comportamental. A diversidade nos ajuda no nosso desenvolvimento, no nosso crescimento. Então, viajar nos possibilita conhecer outros espaços, conhecer outras pessoas, e isso nos enriquece, possibilita e estimula nossa atividade cognitiva”, afirma.

Novos horizontes

A quebra temporária dos hábitos cotidianos também pode influenciar positivamente a maneira como o cérebro interpreta e processa as vivências. Ainda assim, Igor ressalta que os resultados dependem das características individuais, dos interesses e das necessidades de cada pessoa. “Somos amplos e muito complexos. Existem pessoas que gostam de não cair na rotina, de não ficar entediadas, enquanto outras lidam bem com ela e até a preferem. O mais importante é que aquilo seja funcional para a pessoa e promova bem-estar e qualidade de vida”, explica.

Por outro lado, o docente destaca que nem toda viagem necessariamente proporcionará benefícios emocionais. Quando ocorre em circunstâncias desconfortáveis ou por obrigação, a experiência pode gerar ainda mais desgaste. Apesar disso, muitas pessoas relatam aumento da energia, da motivação e da criatividade durante os períodos em que estão viajando. Segundo o psicólogo, isso acontece porque a experiência interrompe o modo automático que costuma marcar boa parte da rotina diária.

“Muitas vezes, no dia a dia, estamos impelidos a seguir uma rotina. Quando conseguimos direcionar um tempo para nós mesmos, estamos falando também de uma prática de autocuidado. Conhecer outras pessoas, outros olhares e perceber que a realidade não é somente aquela que vivemos diariamente amplia nosso repertório e favorece a criatividade. Esse contato com diferentes formas de viver e enxergar o mundo contribui para estimular novas perspectivas e ampliar a capacidade de adaptação diante das situações cotidianas”, destaca.

Viver o agora

Outro aspecto frequentemente associado às viagens é a capacidade de concentrar a atenção no momento presente. Segundo Igor, preocupações excessivas com o futuro podem contribuir para quadros de ansiedade, enquanto a permanência constante em lembranças do passado pode favorecer sentimentos relacionados à tristeza e à depressão.

“Encontrar equilíbrio sobre isso, focar no presente, no aqui e agora, nas possibilidades que temos e naquilo que nos faz bem é essencial. Viajar funciona como um convite para viver aquela experiência de forma mais completa e lembrar que o futuro ainda está sendo construído. Ao dedicar atenção ao momento vivido, as pessoas tendem a experimentar uma sensação maior de presença e conexão com a realidade ao redor”, afirma.

Os efeitos positivos da viagem também podem permanecer após o retorno para casa. As lembranças construídas ao longo da experiência costumam continuar influenciando o bem-estar emocional e servem como fonte de satisfação e significado. “Se eu viajo e tenho essa experiência de forma plena, conheço novas pessoas, novas culturas ou simplesmente descanso, retorno para casa mais leve. Resgatar essas lembranças ao longo do tempo traz uma sensação de bem-estar, de qualidade de vida, de possibilidades e de novos horizontes”, observa o psicólogo.

Crescimento pessoal

A convivência com novas culturas, ambientes e formas de pensar também contribui para o desenvolvimento emocional e intelectual. De acordo com o especialista, essas experiências ajudam a ampliar a compreensão sobre diferentes realidades e estimulam novas formas de enxergar o mundo. “Somos seres sociais e a diversidade nos possibilita crescimento. Muitas vezes saímos de uma visão mais limitada sobre determinada realidade e passamos a compreender outras perspectivas. Isso estimula nosso cérebro a pensar por outros caminhos”, explica.

Para aqueles que não podem se ausentar por longos períodos, a boa notícia é que os benefícios não estão necessariamente ligados à duração da viagem. Conforme destaca o psicólogo, o impacto emocional está mais relacionado à forma como cada pessoa vivencia e atribui significado à experiência do que ao número de dias passados fora de casa. “Tudo vai depender do sentido que eu atribuo a essa experiência. A percepção do tempo é muito relativa. Uma viagem curta pode ser extremamente significativa para uma pessoa, assim como uma viagem longa pode não trazer os resultados esperados para outra”, afirma.

Segundo Igor, o fundamental é que a experiência ofereça uma oportunidade genuína de descanso, prazer, descoberta ou autocuidado. Quando isso acontece, mesmo uma breve mudança de ambiente pode trazer contribuições relevantes para a saúde mental e para a qualidade de vida.

Por: Laís Marques

Fonte: Asscom Unit