¨*Por Cristina Xavier

A enfermagem constitui um dos pilares fundamentais dos sistemas de saúde, sendo exercida por profissionais que lidam diariamente com elevada carga emocional, intensa responsabilidade técnica e jornadas prolongadas de trabalho. Nesse contexto, a saúde mental e o bem-estar desses trabalhadores tornam-se aspectos centrais para a sustentabilidade da prática profissional e para a qualidade da assistência prestada.

A exposição contínua ao sofrimento humano, à pressão por resultados e às limitações estruturais dos serviços favorece o desenvolvimento de quadros de estresse crônico, ansiedade, depressão e síndrome de burnout. A exaustão física e emocional não afeta apenas o indivíduo, mas repercute diretamente na segurança do paciente, no clima organizacional e na eficiência dos serviços de saúde.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível adotar estratégias sistemáticas de prevenção do esgotamento profissional e de promoção do autocuidado. Medidas como a organização adequada da jornada de trabalho, a valorização de pausas regulares, o incentivo ao suporte psicológico, a promoção de ambientes acolhedores e o fortalecimento das redes de apoio institucional são fundamentais para a preservação da saúde mental.

Além disso, é necessário estimular nos profissionais o reconhecimento de seus próprios limites, a busca ativa por ajuda quando necessário e a compreensão de que o autocuidado não representa fragilidade, mas sim um componente ético do exercício profissional.
Cuidar da saúde mental do profissional de enfermagem é investir na qualidade da assistência, na humanização do cuidado e na construção de sistemas de saúde mais justos, seguros e sustentáveis.

*Enfermeira com Especialidade em Urgência e Emergência - Presidente do Comitê de Ética do Ipesaúde