Iniciativa marca o início de uma ampla mobilização em Sergipe em torno da proposta de redução da jornada como instrumento de geração de empregos, melhoria da qualidade de vida e ampliação da dignidade da classe trabalhadora

O senador Rogério Carvalho (PT/SE) participou, na noite desta sexta-feira, 20, do lançamento do Movimento em Defesa da Redução da Jornada de Trabalho, realizado no Sindicato dos Bancários de Sergipe, em Aracaju.

A iniciativa marca o início de uma ampla mobilização em Sergipe em torno da proposta de redução da jornada como instrumento de geração de empregos, melhoria da qualidade de vida e ampliação da dignidade da classe trabalhadora — uma das principais bandeiras defendidas pelo parlamentar no Senado Federal.

O movimento propõe a revisão do modelo atual, em que milhões de brasileiros trabalham seis dias para descansar apenas um, a chamada escala 6x1.

Durante o ato, Rogério Carvalho destacou que a proposta impacta diretamente cerca de 38 milhões de trabalhadores brasileiros que cumprem jornada de 44 horas semanais, especialmente nos setores da indústria, comércio e serviços.

“Estamos falando de 38 milhões de brasileiros e brasileiras que seriam diretamente beneficiados com a redução da jornada. Quando consideramos os trabalhadores informais e os familiares, podemos atingir cerca de 150 milhões de pessoas impactadas positivamente”, afirmou.

O senador, que é relator da proposta no Senado, lembrou que o texto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e agora segue para votação em plenário. “Há setores que não querem a redução da jornada. Dizem que vai quebrar o pequeno empresário e gerar desemprego. Mas isso é para desestimular a população. Usam o medo para impedir que o povo reivindique seus direitos”, declarou.

Ao citar entidades empresariais contrárias à medida, Rogério mencionou a Confederação Nacional da Indústria e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Segundo ele, o argumento de que a redução da jornada provocaria desemprego repete o mesmo discurso adotado durante a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “O que gera emprego é o povo indo ao mercado e à loja comprar. Quando o povo tem renda, consome mais, a indústria produz mais e contrata mais trabalhadores”, pontuou.

O senador também relacionou a proposta às transformações provocadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho. “As pessoas precisam de tempo para se requalificar. Como fazer isso trabalhando 44 horas por semana? É preciso reduzir a jornada para permitir formação e qualificação profissional”, disse.

Ato reúne centrais sindicais e lideranças políticas
O lançamento do movimento reuniu lideranças sindicais, representantes de movimentos sociais e trabalhadores de diversas categorias, com o objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade e construir uma agenda concreta em defesa dos direitos trabalhistas.

Participaram do debate:
    •    Central Única dos Trabalhadores (CUT) – Leila Morais
    •    União Geral dos Trabalhadores (UGT) – Ronildo Almeida
    •    Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) – Aparecido
    •    Federação Única dos Petroleiros (FUP) – Cleverton
    •    União Nacional dos Estudantes (UNE) – Deivison
    •    Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Sergipe – Quitéria
    •    Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Sergipe – Raimundo
    •    Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – Edval
    •    Partido Verde (PV) – Reinaldo
    •    Partido dos Trabalhadores (PT) – Lizandra
    •    Deputado federal João Daniel
    •    Vereador Camilo Daniel

Representando a CUT, Leila Morais afirmou que a pauta unifica o movimento sindical. “A luta pela redução da jornada não pode ser apenas de quem tem mandato. É de todos os trabalhadores e trabalhadoras. Hoje iniciamos, aqui na Grande Aracaju, uma jornada de mobilização pelo fim da escala 6x1”, declarou.

Já Ronildo Almeida, da UGT, destacou que o debate não é recente. “Quando autorizaram a abertura do comércio aos domingos, disseram que geraria emprego. Não gerou. O que houve foi ampliação da escala 6x1 e intensificação da exploração”, comentou, acrescentando que o aumento de doenças ocupacionais e o adoecimento de trabalhadores demonstram os impactos do modelo atual.

Quitéria, do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas, ressaltou a realidade da categoria. “Quem é trabalhadora doméstica sabe o que significa trabalhar aos sábados. O trabalho doméstico nunca acaba. Nossa luta é por dignidade, por jornada justa e por respeito”, pontuou.

Projeto em regime de urgência
Ao encerrar o ato, Rogério Carvalho anunciou o início de caravanas pelo estado para ampliar o debate público sobre a redução da jornada de trabalho.c“Vamos iniciar, nos dias 7 e 8, a caravana pelo fim da escala 6x1, começando por Aracaju e passando por Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Lagarto e Itabaiana”, revelou.

O senador também informou que o presidente Lula deve enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência para tratar do tema. “Precisamos mobilizar a população para que ninguém tenha coragem de votar contra. Vamos conquistar essa vitória para o Brasil e, principalmente, para os trabalhadores e trabalhadoras do nosso país”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Fotos: Janaína Santos/Assessoria de Comunicação