Muitas mulheres sofrem com dores agudas e progressivas provocadas por uma condição chamada endometriose. Esta doença é caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o útero internamente – em outros locais, principalmente na pelve, no intestino, na bexiga e até mesmo no umbigo. É uma das principais causas de infertilidade feminina, afetando cerca de 40% das portadoras que enfrentam dificuldades para engravidar.

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 176 milhões de mulheres em todo o mundo são atingidas pela endometriose. Somente no Brasil, são mais de sete milhões de mulheres que sofrem com a doença, por isso a importância das pacientes realizarem frequentemente consultas regulares como forma de prevenção.

Sintomas e Diagnóstico

De acordo com o Dr. Jonas Leomarques Santos, cirurgião do aparelho digestivo, os sintomas variam conforme a idade. Em meninas mais jovens, um dos principais sinais são cólicas agudas a partir da menstruação. “Pacientes com dores pélvicas crônicas, dores que persistem por longos períodos, dor nas pernas, nas costas, durante a relação sexual e alterações intestinais, como distensão, são sintomas que geralmente pioram ou aparecem mais em um determinado momento do ciclo menstrual”, explica o médico.

Dr Jonas Leomarques: “O tratamento é multidisciplinar, envolvendo nutricionistas e psicólogos”

A importância de um diagnóstico preciso é enfatizada por Dr. Jonas. Segundo ele, o ultrassom transvaginal comum geralmente não identifica a endometriose. “O médico pode suspeitar, mas quem realmente detecta é um ultrassom com mapeamento para endometriose e a ressonância magnética. O padrão ouro, o melhor exame, é a laparoscopia, onde o profissional insere uma câmera de vídeo e visualiza internamente, podendo resolver alguns focos pequenos”, esclarece.

Fatores de Risco

Dr. Jonas Leomarques destaca que os fatores de risco mais comuns incluem ter filhos tardiamente, após os 35 anos, ter poucos filhos, e a má alimentação. “Antigamente, as mulheres davam à luz mais cedo e tinham vários filhos, então ter poucos pode ser um fator de risco para a endometriose. É como se a gestação fosse um tratamento natural para a doença. Uma alimentação rica em industrializados, fermentados e ultraprocessados também é um fator de risco”, afirma.

Relação entre Obesidade e Endometriose

A obesidade é um fator agravante para a endometriose. “Os dois são bem comuns. Como eu faço bariátrica e trato endometriose, é comum encontrar ambas as condições na mesma paciente. Geralmente, opto por resolver primeiro a bariátrica ou a perda de peso, sem cirurgia, para depois tratar a endometriose. O tratamento é hormonal”, explica Dr. Jonas.

“As mulheres que começam a ter cólicas devem procurar o ginecologista e iniciar um bloqueio hormonal, como um anticoncepcional, para evitar a menstruação. O tratamento é multidisciplinar, envolvendo nutricionistas e psicólogos, pois as mulheres sofrem tanto, sendo incompreendidas, que a doença é comum em casos de separação. É comum perceber mulheres solteiras, pois um dos sintomas é a falta de libido. A paciente não tem relações porque dói. É uma doença que precisa ser explicada e estudada”, ressalta o médico.

A paciente mais difícil de operar, de acordo com o cirurgião, é aquela sem controle clínico, com má alimentação 


Importância do Tratamento

Dr. Jonas Leomarques destaca a importância do tratamento adequado. “Os colegas médicos encaminham as pacientes para cirurgia – eu faço apenas a parte do intestino, útero, a parte cirúrgica em si - e quando elas já vêm tratadas clinicamente, tudo fica mais fácil. Se o tratamento clínico com hormônios não resolve os sintomas, então a cirurgia é considerada”, comenta.

A paciente mais difícil de operar, de acordo com o cirurgião, é aquela sem controle clínico, com má alimentação e outros problemas associados como refluxo e enxaqueca. Para essas pacientes, a cirurgia se torna mais complicada. Portanto, o ideal é o controle clínico e, principalmente, o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a endometriose é detectada, melhor é para evitar lesões.

Prevenção

Para prevenir a endometriose, recomenda-se a prática de atividades físicas e uma dieta saudável. Evitar a obesidade é crucial para prevenir a doença. “Hoje em dia, qualquer cólica menstrual não deve ser desprezada, e é importante evitar uma dieta inflamatória. Também é essencial investigar casos familiares e conversar com o ginecologista o quanto antes”, conclui Dr. Jonas Leomarques.