Quando o Brasil enfrenta enchentes, tragédias, epidemias ou colapsos na rede de saúde, existe uma força especializada pronta para agir com rapidez, técnica e humanidade: a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS). Entre os nomes que ajudaram a construir essa estrutura e que hoje atuam diretamente nas missões de resposta está a enfermeira sergipana Conceição Mendonça, consultora técnica da Diretoria da Força Nacional do SUS, vinculada à Secretaria de Atenção Especializada do Ministério da Saúde. “A FN-SUS nasce para estar onde o SUS mais precisa, levando organização, assistência e esperança”, resume.

Criada para atuar em situações de Emergência em Saúde Pública, a Força Nacional do SUS funciona como um mecanismo de resposta rápida do Ministério da Saúde em cenários de desastres naturais, epidemias, calamidades públicas e eventos que sobrecarregam ou colapsam os serviços locais. “Nossa atuação começa com um diagnóstico vivo da realidade, para reorganizar a rede e garantir que nenhum cidadão fique sem atendimento”, explica Conceição.

Como consultora técnica, ela participa da elaboração de protocolos, definição de fluxos assistenciais, articulação entre atenção básica, especializada e hospitalar, além da capacitação de equipes. “Trabalhamos com base em evidências e, principalmente, com sensibilidade para entender o território e suas vulnerabilidades.”

Articulação federativa e resposta em campo

O acionamento da FN-SUS ocorre quando estados ou municípios esgotam sua capacidade de resposta. A partir daí, equipes são enviadas para avaliar necessidades e definir o nível de intervenção. “A Força Nacional não substitui o SUS local, ela soma, apoia e fortalece. Atuamos lado a lado com gestores e profissionais dos estados e municípios”, destaca.

Com o aumento dos desastres climáticos e das emergências sanitárias, os desafios são cada vez maiores. Logística, comunicação, proteção das equipes e cuidado com a saúde mental estão entre as prioridades. “Precisamos estar preparados não apenas tecnicamente, mas humanamente. Cuidar de quem cuida também é missão da Força Nacional”, afirma.

Missões que marcaram uma vida

Entre as operações mais marcantes de sua trajetória estão as enchentes da Região Serrana do Rio de Janeiro, a tragédia da Boate Kiss e, mais recentemente, as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. “Foram momentos de dor, mas também de união e solidariedade. Ver o SUS se mobilizando como uma grande rede de amor ao próximo é algo que nunca se esquece”, relembra.

Como consultora técnica nessa diretoria, seu papel principal é fornecer suporte especializado na elaboração de protocolos, fluxos de trabalho e estratégias de integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Isso inclui a análise de desafios operacionais, como dificuldades de encaminhamento, disponibilidade de leitos e articulação entre atenção primária e serviços especializados, além de propor ações para aprimorar a gestão e a resposta do sistema em situações críticas.

Do SAMU em Sergipe à construção da Força Nacional do SUS

Pioneira na implantação do SAMU 192 em Aracaju, Conceição teve papel fundamental na estruturação da Política Nacional de Atenção às Urgências. “O SAMU de Sergipe mostrou que era possível organizar a resposta rápida e salvar vidas. A partir daí, levamos esse modelo para o Brasil”, conta.

Após a criação do SAMU 192 Aracaju, em 8 de julho de 2002, Conceição Mendonça foi convidada a compor as equipes do Ministério da Saúde como Consultora Técnica para atuar na então Coordenação Nacional de Atenção às Urgências na criação dos SAMU’s em todo o território Brasileiro, iniciando pelas capitais, mantendo o modelo assistencial de Aracaju.

"Foram inicialmente 86 serviços implantados no país, além de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Vale do Ribeira (SP) que já tinham serviços agregados ao Corpo de Bombeiros”, lembra.

Após a tragédia da Região Serrana, Conceição participou da articulação que deu origem oficialmente à Força Nacional do SUS. “Após três meses, meu então Coordenador da Urgência me levou até o Dr Adriano Massuda onde foi formado um Grupo Técnico com profissionais de todas as regiões do país, predominando o Nordeste, para criação da Portaria e Decreto da Força Nacional do SUS, fato esse concretizado por meio da Portaria nº 2.952, DE 14 de dezembro de 2011, que Regulamenta, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Decreto nº 7.616, de 17 de novembro de 2011, que dispõe sobre a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e institui a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS)”, disse.

Orgulho sergipano e compromisso com o cuidado

Representar Sergipe em um grupo técnico de alcance nacional é motivo de emoção e responsabilidade. “Significa que posso contribuir com a expertise e a experiência que adquiri ao longo da minha carreira para ajudar a fortalecer a saúde pública e a Rede de Atenção à Saúde no nosso estado e no país. Sergipe tem uma população muito acolhedora e uma riqueza cultural incrível, e é gratificante poder retribuir de alguma forma, especialmente na área da saúde, que é tão importante para o desenvolvimento social e econômico”, afirma.

Com fé, sensibilidade e competência técnica, Conceição Mendonça traduz em sua trajetória a essência do Sistema Único de Saúde: “Cuidar das pessoas, com amor, organização e respeito, é a maior missão que alguém pode ter. Continuo trazendo amigos para compor essa equipe como voluntários e pontos focais do meu Estado em missões importantes da DFNUS para que possa com minha força, fé e coragem representar resiliência nordestina, priorizando missões com brasileiros em vulnerabilidade”, conclui.