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Resultados preliminares de estudo da Unit apontam diferenças no acesso à alimentação saudável entre usuários de unidades básicas de saúde de bairros com perfis distintos
Uma pesquisa de iniciação científica realizada na Universidade Tiradentes (Unit) investiga como as condições de vida de uma pessoa, em termos socioeconômicos, podem determinar se ela estará mais vulnerável a doenças como hipertensão e diabetes. Este é o tema de um estudo comparativo sobre a avaliação nutricional e de consumo alimentar entre pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), em duas Unidades Básicas de Saúde de Aracaju: a UBS Roberto Paixão, no bairro 17 de Março; e a UBS Dona Sinhazinha, no Grageru.
Segundo o estudante Felipe Eleto Oliveira dos Reis, do 12º período de Medicina da Unit, que é o autor da pesquisa, o principal objetivo é avaliar e comparar o perfil nutricional, os hábitos alimentares e as condições socioeconômicas de pacientes hipertensos e diabéticos que são atendidos em UBSs de dois bairros diferentes. “Além disso, o estudo busca compreender como fatores socioeconômicos influenciam o acesso à alimentação adequada e de qualidade e de que forma essas condições podem impactar o desenvolvimento e a evolução das doenças crônicas não transmissíveis, especialmente hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2”, destacou ele.
O estudo está na fase final da coleta de dados, com mais de 50 participantes voluntários já avaliados nas duas unidades de saúde. Eles assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e responderam a questionários sobre hábitos alimentares, consumo alimentar, condições socioeconômicas e características relacionadas à saúde. Além disso, eles passaram por avaliações antropométricas, incluindo medidas de peso, altura, índice de massa corporal (IMC) e circunferência da cintura, o que permitiu uma análise mais abrangente do estado nutricional dos indivíduos avaliados.
De acordo com Felipe, os resultados preliminares já apontam diferenças importantes entre os perfis dos pacientes atendidos nas duas unidades avaliadas, em territórios com distintos perfis socioeconômicos. “Foi possível observar que pacientes atendidos em regiões socialmente mais vulneráveis apresentam maiores dificuldades de acesso a alimentos de melhor qualidade nutricional quando comparados a indivíduos atendidos em áreas com melhores condições socioeconômicas. Essas diferenças refletem diretamente nos padrões alimentares observados e podem influenciar o controle e a evolução de doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2”, apontou o autor.
As doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial e diabetes mellitus, estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade no Brasil. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), existem mais de 20 milhões de brasileiros com diabetes, o que equivale a pouco mais de 10,5% da população nacional. Já o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) informa que quase 28% dos brasileiros têm diagnóstico de hipertensão.
Primeiras sugestões
Na visão de Felipe Eleto, os dados iniciais do estudo sugerem que fatores socioeconômicos podem influenciar significativamente os hábitos alimentares e, consequentemente, o manejo de doenças como diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial. Felipe acredita que esses achados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à promoção da alimentação saudável e à redução das desigualdades em saúde.
“Ao identificar fatores que dificultam o acesso a uma alimentação adequada, o estudo pode auxiliar gestores e profissionais de saúde na elaboração de estratégias mais direcionadas para prevenção, educação alimentar e acompanhamento de pacientes com doenças crônicas. A compreensão dessas diferenças também contribui para o desenvolvimento de ações mais eficazes dentro da Atenção Primária à Saúde. Além disso, o estudo evidencia a importância de considerar os determinantes sociais da saúde na construção de políticas públicas voltadas à prevenção e ao controle dessas enfermidades”, acrescenta Felipe.
A pesquisa, com enfoque nas áreas de saúde coletiva, epidemiologia nutricional e doenças crônicas não transmissíveis, é orientada pelo professor Heriberto Alves dos Anjos, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS/Unit), com bolsa de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os trabalhos de coleta e análise de dados devem ser concluídos nas próximas semanas. A expectativa é que o trabalho final da pesquisa seja apresentado durante a próxima edição da Semana de Pesquisa da Unit (Sempesq), prevista para ocorrer ainda este ano.
Autor: Gabriel Damásio
Fonte: Asscom Unit




