O Ministério da Saúde (MS) anunciou na quarta-feira (13) a inclusão de novo teste genético de alta precisão ao Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de acusar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao câncer de mama.
A tecnologia será disponibilizada gratuitamente para pacientes acompanhadas pela rede pública e deverá começar a ser ofertada em até 180 dias, conforme portaria publicada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde.

A decisão foi aprovada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), órgão responsável por avaliar novas tecnologias e tratamentos para a rede pública. O exame será indicado inicialmente para mulheres já diagnosticadas com câncer de mama e permitirá identificar mutações genéticas que podem influenciar tanto no tratamento quanto na avaliação do risco familiar da doença.

A mastologista Dra. Paula Saab, atuante em Aracaju e integrante da Comissão de Imagem da Mama da Sociedade Brasileira de Mastologia, destaca que a incorporação do exame representa um avanço importante para a oncologia e para a medicina personalizada no Brasil. “O teste genético permite compreender melhor o perfil biológico do tumor e identificar pacientes com predisposição hereditária ao câncer de mama. Isso impacta diretamente na definição terapêutica, no acompanhamento clínico e também no rastreamento de familiares que possam apresentar maior risco para a doença”, explica.

Os genes BRCA1 e BRCA2 atuam na reparação de danos no DNA e ajudam a impedir a multiplicação de células com alterações genéticas. Quando essas mutações estão presentes, o risco de desenvolvimento do câncer aumenta significativamente. Segundo especialistas, mulheres portadoras dessas alterações podem ter entre 60% e 80% mais chances de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.

De acordo com Dra. Paula Saab, a identificação precoce dessas mutações possibilita estratégias preventivas mais eficazes. “Quando identificamos uma mutação genética associada ao câncer de mama, conseguimos intensificar o acompanhamento com exames específicos, como ressonância magnética e mamografia em intervalos adequados, além de discutir medidas preventivas individualizadas para cada paciente”, afirma.

A especialista também ressalta que a disponibilização do teste pelo SUS democratiza o acesso a uma tecnologia que antes era restrita a parte da população devido ao alto custo na rede privada. “Estamos falando de uma ferramenta extremamente importante para diagnóstico, prevenção e planejamento terapêutico. A incorporação ao SUS representa um avanço significativo para reduzir desigualdades no acesso à saúde e fortalecer o cuidado integral às mulheres”, pontua Dra. Paula Saab.

Além de auxiliar na condução do tratamento, o exame também poderá contribuir para identificar riscos em familiares das pacientes diagnosticadas, já que as mutações podem ser hereditárias. Para especialistas, a medida fortalece a medicina preventiva e amplia as possibilidades de diagnóstico precoce, fator considerado essencial para aumentar as chances de cura do câncer de mama.

Fonte: Rodrigo Alves Assessoria de Imprensa e Marketing

Foto: divulgação