Com a volta às aulas, um problema de saúde tem chamado a atenção de especialistas: o aumento significativo de dores e lesões na coluna entre crianças e adolescentes. O alerta é do fisioterapeuta Dr. Ewerton Caroso, membro da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna e professor de pós-graduação em Osteopatia, que observa um crescimento preocupante de atendimentos a estudantes cada vez mais jovens com queixas musculoesqueléticas.

Segundo o especialista, o problema está diretamente ligado a hábitos inadequados no ambiente escolar e fora dele. “O uso de mochilas excessivamente pesadas, postura incorreta ao sentar em sala de aula e o tempo prolongado em frente a celulares, tablets e computadores criam uma sobrecarga precoce na coluna”, explica Dr. Ewerton Caroso. Esses fatores, quando mantidos de forma contínua, podem desencadear dores lombares, cervicais, desalinhamentos posturais e até lesões estruturais.

O fisioterapeuta destaca que muitas dessas alterações, se não identificadas e tratadas precocemente, podem se prolongar até a vida adulta. “É um erro achar que dor nas costas em criança é algo normal ou passageiro. O corpo ainda está em fase de crescimento e adaptação. Ignorar os sinais pode gerar consequências a médio e longo prazo”, alerta.

Entre as principais orientações estão a escolha de mochilas adequadas ao tamanho e peso da criança, a organização do material escolar para evitar excesso de carga, além de atenção à ergonomia em casa e na escola. A prática regular de atividades físicas, alongamentos e pausas no uso de telas também é fundamental para a saúde da coluna.

Dr. Ewerton Caroso reforça que pais, educadores e escolas têm papel essencial na prevenção. “A conscientização precisa começar cedo. Pequenas mudanças na rotina fazem grande diferença para garantir um desenvolvimento saudável e sem dor”, destaca.

A recomendação é que, diante de queixas frequentes de dor, os estudantes sejam avaliados por um profissional especializado, garantindo diagnóstico precoce, tratamento adequado e qualidade de vida desde a infância.


Um estudo transversal brasileiro, publicado no Brazilian Journal of Physical Therapy em fevereiro de 2024, revelou que a prevalência em um mês de dor musculoesquelética incapacitante — ou seja, que limita atividades — em crianças e adolescentes foi de 27,1 %. Dentre esses casos, a coluna (região das costas) foi a área mais afetada, representando 51,8 % dos relatos.

Dr. Ewerton alerta ainda para o risco de escoliose. “A escoliose é um exemplo claro de como o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo a alteração na coluna é identificada, mais simples e eficaz se torna o tratamento, evitando a progressão da doença e possíveis complicações no futuro. A fase ideal para a detecção da escoliose é ainda na infância e adolescência, período em que o corpo está em crescimento. Por isso, a escola pode e deve ter um papel fundamental nesse processo, por meio de ações educativas simples, que ensinem as crianças a observarem o próprio corpo. Orientações como se olhar no espelho, perceber se um ombro está mais alto que o outro, se a cintura parece desalinhada ou se há alguma assimetria aparente podem ajudar na identificação precoce. Da mesma forma, é essencial que os pais sejam orientados a realizar essa autoavaliação com seus filhos em casa. Com informação, atenção e acompanhamento profissional, é possível diagnosticar cedo, tratar corretamente e garantir mais qualidade de vida às crianças e adolescentes”, finaliza.

Fonte: Rodrigo Alves Assessoria de Imprensa e Marketing

Foto: divulgação