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Principais sinais de alerta incluem diarreia persistente, presença de sangue nas fezes e dor abdominal recorrente

O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Rede HU Brasil, traz neste mês de maio um importante alerta por meio da campanha Maio Roxo, voltada à conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII), principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, nas quais o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

De acordo com o médico gastroenterologista do Ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais do HU-UFS, Marcel Andrade, as duas patologias costumam acometer pessoas jovens, mas podem surgir em qualquer faixa etária. Os principais sinais de alerta incluem diarreia persistente, presença de sangue nas fezes, dor abdominal recorrente, perda de peso, fadiga, anemia e urgência para evacuar.

Em alguns casos, também podem ocorrer manifestações fora do intestino, como dores articulares, lesões de pele e inflamações oculares. O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica associada a exames laboratoriais, exames de imagem e, principalmente, colonoscopia com biópsias, que permite avaliar a inflamação intestinal e definir o tipo da enfermidade.

Segundo o especialista, o gastroenterologista exerce papel fundamental desde o diagnóstico até o acompanhamento contínuo do paciente. “As doenças inflamatórias intestinais são condições crônicas, que exigem monitoramento regular e tratamento individualizado. O objetivo é controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Hoje contamos com diversas opções terapêuticas, incluindo medicamentos imunossupressores e terapias biológicas, que mudaram significativamente o prognóstico desses pacientes. Além disso, o acompanhamento especializado ajuda a identificar precocemente recaídas e complicações da doença”, explica o médico.

Alimentação adequada

Marcel ressalta que não existe uma dieta única capaz de causar ou curar as doenças inflamatórias intestinais, mas a alimentação desempenha papel importante no controle dos sintomas e na manutenção do estado nutricional. “O ideal é que cada paciente seja avaliado individualmente, preferencialmente com acompanhamento nutricional. De forma geral, orientamos uma alimentação equilibrada, evitando ultraprocessados, excesso de gordura e alimentos que agravem os sintomas nos períodos de atividade da doença. Também é importante evitar o tabagismo, especialmente na Doença de Crohn, já que o cigarro está associado a uma pior evolução do quadro”, alerta.O gastroenterologista acrescenta que as causas das doenças inflamatórias intestinais ainda não são completamente conhecidas. Portanto, não existe uma forma específica de prevenção. “Sabemos que há influência genética, imunológica e ambiental. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para evitar complicações”, complementa.
Cuidado multiprofissional

No HU-UFS, há um cuidado multiprofissional dedicado aos pacientes com doenças inflamatórias intestinais. “O atendimento envolve o Ambulatório de Gastroenterologia e o Serviço de Coloproctologia. Nosso desejo é que, futuramente, possamos expandir esse serviço para outras especialidades, envolvendo radiologistas, patologistas, endoscopistas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde. Esse trabalho em equipe é muito importante, porque as doenças inflamatórias intestinais impactam não apenas o intestino, mas diversos aspectos da vida do paciente, incluindo saúde mental, nutrição e qualidade de vida”, detalha Marcel Andrade.

Ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais

A médica coloproctologista Ana Carolina Lisboa afirma que, há cerca de 20 anos, o Ambulatório de Doenças Inflamatórias do HU-UFS atende esses pacientes. “Percebemos o aumento de casos entre crianças e adolescentes, e essas doenças trazem um impacto negativo substancial na vida das pessoas, tanto do ponto de vista nutricional quanto psicológico. A doença de Crohn, por exemplo, é lenta e muitas vezes provoca quadros de anemia, dor abdominal crônica, distensão abdominal mais acentuada e alteração do hábito intestinal, especialmente constipação. Já a retocolite costuma se manifestar com quadros de diarreia intensa, sangramentos importantes e saída de secreção via anal. As doenças inflamatórias intestinais provocam emagrecimento não intencional e frequentemente levam a quadros de anemia severa”, informa.

De acordo com a médica, esses pacientes realmente necessitam de acompanhamento multidisciplinar, com interface com a psicologia, nutrição, educação física e fisioterapia, já que muitas vezes são doenças mutilantes. “No HU-UFS, o tratamento é custeado pelo Governo Federal e baseia-se no uso de imunobiológicos, medicamentos de ação rápida, muito efetivos e que atuam no controle do processo inflamatório intestinal. O tratamento é contínuo, e algo muito importante a ser reforçado neste Maio Roxo não é apenas o diagnóstico, mas também a manutenção da terapia. Percebemos que vivemos em uma sociedade que busca soluções rápidas, porém a continuidade do cuidado, o compromisso e a responsabilidade com a própria saúde, incluindo o cumprimento dos prazos e das datas das infusões, interferem diretamente no desfecho desses pacientes”, ressalta Lisboa.

Maio Roxo

O Maio Roxo é uma campanha importante para ampliar a conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais e combater o atraso no diagnóstico. Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas antes de receberem o diagnóstico correto. Além disso, ainda existe muito preconceito e desinformação em torno do tema. Falar sobre o assunto ajuda a estimular a busca por atendimento médico, promove o diagnóstico precoce e reforça que, com tratamento adequado, os pacientes podem ter qualidade de vida e manter suas atividades normalmente.

Sobre a HU Brasil

O HU-UFS faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.